segunda-feira, 24 de novembro de 2008

ins-piração

e as mesmas coisas velhas-novas se reiniciam.
se reintegram no ser-só.

só, somente.

a caverna platônica me instiga a perceber o quanto se tem a saber ainda,
o quanto faz-se necessária uma revisão de mim para mim mesmo.

eu dentro de mim.
eu em mim.

sábado, 25 de outubro de 2008

das cervejas

depois de uma caixa e pouca de cerveja, a gente nota certas coisas. olhares rolam, conversas fluem... e tu ali, bem na minha frente, lindo, rindo, conversando, brincando.
e em mim a vontade de me jogar em e pra você.

uma: conta aquela da cerveja!
outra: não pô... é que segundo os cientistas, o primeiro gole numa cerveja bem gelada simula um orgasmo.
tu: [olhando fixamente para a outra pessoa] depende da pessoa, depende do orgasmo... depende!
outra: é...

acontece...
um dia eu te chamo pra dar o primeiro gole na minha.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

!

de repente, se muda.
de repente, não se é mais aquilo.
de repente, silencia-se.
de repente.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

reflexivo

um homem nu era o que via. cada parte, cada detalhe.
mesmo assim não sentiu nada. absolutamente nada.

o espelho dizia a verdade.
somente a verdade.
nada mais que a verdade.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

escrito [de] a-gosto II

um dia, andando pelo Recife, fica melhor de entender como as pessoas são.
vontade de ser turista na cidade.
não, não... de ser turista não...
de ser... sei lá. algo que não faça ser igual.
se bem que a igualdade é estranhamente confortável.
é...
explica-se: é como se quase não precisasse de esforço pra estar. aí nem precisa se preocupar em fazer isso ou aquilo. porque tudo já vai estar pré-programado mesmo...
já pensou na possibilidade do mundo como uma grande caverna?
tipo a de Platão.
é...
todo mundo já acostumado às dores do ser-nesse-mundo...
de repente, não mais que de repente... chega alguém dizendo que nada disso é real. é só projeção de imagens.
pronto! imagina a bronca!

a mente dela ficava oscilando entre "o que é que eu tô fazendo aqui?" e "povo doido... sei não, viu..."

mesmo assim, nostalgia. à flor da pele.
as lembranças vinham. como na hora da morte; um filme passando na mente.

[não tinha reparado como memórias fazem o volume de um caderno aumentar.]

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

escrito [de] a-gosto I

- era uma vez duas pessoas...
- não, não era uma vez...
- tá! foi uma vez duas pessoas.
- não! NÃO! não foi uma vez. que coisa! vc nunca lembra?
- ai que saco! foram quatro vezes duas pessoas.
- é. foram quatro vezes. agora sim...
- e foram quatro vezes??
- ah, disso nem eu lembro bem... mas considera quatro, tá? e aí, vai começar?
- tá, começo. posso?
- pode, pode.

- Foram quatro vezes duas pessoas. Depois disso, não foram mais.
- ei... depois disso o quê?
- disso, ué!
- e o que é "disso"?
- pronto, começou... ¬¬'
- vaaaai... escreve. parei.

Foram quatro vezes duas pessoas. Ficou no meio do caminho - se é que o meio do caminho existe mesmo...
Um se apegou demais, outro de menos.
- dá não...
- é né...
...
- ei... some não?
- sumo sim. pelo menos por enquanto...
- por enquanto é quanto tempo?
- sei não. mas é tempo.

Tempo passou. Sol se foi, chuva veio... então se encontraram de novo. Mas não foram.
Um perguntava demais.
O outro? bem, o outro era outro, já...

quinta-feira, 31 de julho de 2008

de esquerda...

ela é canhota. é, de esquerda mesmo.
gosta mesmo das coisas canhotas. tortas. as destras são muito comuns, certinhas, pensa.
todo mundo que nota sua canhotice fica rindo [oxi, tu é canhota, é?].
teve até quem achasse nojenta essa condição [tu é canhota, é? eca!]...
ela bem se lembra de suas pesquisas a respeito dessa coisa de ser esquerda.
lembra da versão do candomblé, a da bruxaria, a da história. cada um tem sua forma de manifestar seu esquerdismo. sempre pejorativamente.

um dia ela tá de boa, sem nem se lembrar da sua esquerdice...
aí aparece uma figura que também nem a faz lembrar disso.
não fosse por um detalhe: o sexo.







durou 13 minutos.

sábado, 14 de junho de 2008

res

saltou do avião.
um segundo depois do anterior a ele. nem olhou pra trás.
sentiu o vento forte no rosto e resolveu pensar. a vida, os amores, os desgostos. percebeu que estava só naquele momento. ele e o vento forte, o céu e as nuvens.
tudo muito claro em sua mente. a memória ajudava um bocado, talvez porque estivesse livre.

em queda livre. caindo sem cair...
estranho, isso.
estranho a memória vir assim, desse jeito. tão... viva.


não sabia a terça parte da metade da situação...

terça-feira, 10 de junho de 2008

sobre freud

é nos sonhos que nos co[m]cretizamos.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

do escrever

pois bem. faz tempo que não escrevo.
não que isso me traga felicidade. pelo contrário. me angustia até o mais profundo d'alma.
é só porque o id quer coisas que o superego não dá.
enquanto isso, o ego fica assim...
só sentindo...
mas nu de sentido.

sexta-feira, 28 de março de 2008

amenizando com gelo [para Jöu]

- diz-me uma coisa?
- digo...
- o que é isso?
- gelo.
- para quê?
- para adormecer a pele.
- e para quê?
- para deixar de senti-la.
- e tu não queres sentir tua própria pele?
- não.
- por quê?
- porque tu estás nela.

[...]

terça-feira, 18 de março de 2008

soldadinho sem chumbo [para J.R.Durand]

alheio a tudo que sou,
o que serei
ou o que fui.

parto para sentir
do ventre materno o cuidado.

leite da planta que dá o sustento.
vida vivida do avesso.

preso ao verso do reverso,
revezo em mim as possibilidades.

livre num passado não passado,
paralelo de mim mesmo.

assim,
uni
versos.

universos
construídos à unificação dos inversos...
ou à sombra deles.

domingo, 9 de março de 2008

do autoabandono

nunca viu tanta poeira na vida. e pior, tinha que limpar tudo.
começou pensando como faria pra tirar as lonas preto-cinzas de cima dos móveis sem ter de empoeirar mais o chão.
tudo parecia um grande cenário de casa vazia, abandonada. olhava cada coisa e parecia que não mexia ali há pelo menos uns três anos... mas tinha de começar. alguma hora, mas tinha.
aí começou pela área de serviço. o lugar onde jogava tudo que não queria mais - ou que queria ajeitar, mas nunca tinha tempo - e tudo que parecia segundo plano, como roupa suja e material de limpeza.
à medida que ia tirando a grossa camada de poeira acumulada em duas semanas, pensava na sua própria área de serviço. pessoas com as quais tinha se relacionado, amigos e amigas perdidos no tempo, pessoas especiais em potencial, histórias mal resolvidas. preferiu terminar logo aquilo, encher o balde e partir pra sala. a cozinha, no meio do caminho, deixaria pra depois, afinal de contas, teria de passar o tempo todo por ela...
na sala, a mesa coberta indicava que não era usada há tempos, apesar do design moderno e arrojado. mesa pra seis pessoas, mas só três moravam e, muitas vezes, nem comiam lá. só no natal e ano novo... ou então quando vinha alguma visita - e olhe lá!
quantas pessoas a gente convida pra nossa mesa e não conseguem preencher nem uma cadeira, se perguntava... cada vez mais difícil limpar aquela casa...
muito cuidado ao tirar as lonas... pra não sujar mais ainda né?!
mas peraí! não teria de limpar tudo de todo jeito? que diferença faria um pouco de poeira a mais?? quanta preocupação besta!
balde com água e desinfetante para o piso. vassoura, pá, rodo e estopa. cada vez que jogava água no chão, eram algumas lágrimas que rolavam no rosto. ai, que calor! tô até pingando... dizia, só pra disfarçar a tristes lembranças de um ano atrás.

varanda. com rede de proteção, pra ninguém cair. que idéia! quem vai ser doido de cair daqui? sei lá! e aí depois ficou limpando cada azulejo e refletindo... é... quando se está só, não há preocupação com o outro caindo. melhor ficar só, então. né?
quanta solidão numa casa!
não teve coragem de limpar o quarto.
aquilo seria sua própria sentença de morte. o quarto é o lugar onde se guardam as coisas mais queridas, mais íntimas. arrumar aquele lugar era o mesmo que arrumar a vida.
aí não...
era demais pra um dia como aquele.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

ser estando

era uma vez um menino que chorou porque não se sabia.
numa das aulas na escola, ele ouviu uma historia de um cara com nome estranho... ate aí tudo bem... passou a semana como qualquer pessoa... com altos e baixos...
quando chegou na segunda-feira, pronto! acabou-se. desandou a chorar e só parou de noite.
se mirava e não se via. se tocava e não se sentia. se questionava e não se respondia.
na quarta foi reclamar pra alma sebosa que tinha falado aquelas coisas na semana anterior.
- ah, meu querido... tu entrasse na brincadeira... agora aguenta, visse?
- eh? mas e se eu não tiver resposta?
- ah! mas voce certamente em algum momento NAO terá resposta, meu amor...
- e aí?
- aí você pergunta outras coisas...
- ...


[o cuidado para tentar ser quando se está, toca a invisível linha tênue da continuidade de si mesmo. continuar-se. continuando-se.]

domingo, 24 de fevereiro de 2008

re-flexões

pois pronto. decide-se falar quando não se tem mais nada a fazer.
aí eu mesmo falo por mim e pelos outros. das impressões, das coisas da vida.
vida... no fim, até que vale alguma coisa. mas, caramba! pra que isso tudo, hein? pra que essa vida todinha só sofrendo, só sofrendo, só sofrendo!
e sim, isso é drama.
mas quero ser dramático até o fim.
vergílio ferreira mesmo disse que a gente tem que beber até o fim o vinho da iluminação... e por que é que eu não posso?
clarice lispector também falava nas intensidades. pra sentir até esgotar... mas é lasca!
porque tem hora que não se aguenta. a gente é que tem que saber quando! e quando é o problema! até lá, já foi um monte de merda.

só falta agora alguém chegar e dizer que é tudo mentira, que não precisa de nada disso e que a gente se preocupa demais com pouca coisa.

tá!
se for falar isso me diz o que é a verdade, que eu mesmo tô querendo muito saber.


por enquanto, deixa-me fazer a minha própria...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

palpitações

não.
dona de nada no mundo sou, pois nem de mim tenho a posse definitiva. na bagunça do ser, restou a morte e ressurreição diária de mim.
pareço incompreendida? adentra então comigo no meu vir-a-ser. faz-me segredo teu, porque o meu tu já revelaste. ou eu mesma o fiz a ti - talvez não sem o saber.
o sentido de incompletude nos move. nascemos assim. vivemos, morremos assim. incompletos. estou humana.

quero tão-somente o inédito, mais necessariamente o impreciso, o incompleto de si.
a mim, só me pergunto: basta o viver? ou o sentir o precede? viver sentindo ou sentir vivendo?
questiono-me. questiona-me, porque o inacabado é que me atrai...

as estrelas, quando as vemos, se mostram passado no presente. vemo-las, mas estão já no passado. não pretendo viver a contar ou a ler estrelas. ouvi-las-ei, talvez, no máximo.

mas pensa, reflete: o que não está de acordo com nenhuma forma de amar, por mais indefinido, torna-se, em dado momento, uma forma de amar. o não-querer é já um querer.
vamos, vamos juntos às possibilidades do devir.

pensas como eu. exatamente como eu.
o reflexo disso saberemos um dia, talvez [?]
o ex-perimentar é refletir[-se]. a ânsia do outro é também a ânsia de si mesmo. o espelho é o amor? é o querer? amas tu? queres tu?

escolhe, apenas.
eu já o fiz.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

neologia

- e aí que fica cada um na sua. os momentos de silêncio geram angústia... não que não seja bom o silêncio... mas deve haver ponderação entre calar e dizer.
- ah, mas se cada um ficar na sua, como vai saber a do outro?
- sei lá... rola!
- essas manias modernosas de pensar assim é que fazem as histórias não se concretizarem. esse negócio de 'rola' é só enrolação. pra mim é só uma forma de não assumir o que quer. ou de medo de assumir o que quer. o pior é que a culpa é sempre do outro. tipo, se não deu certo, a culpa é do outro; se alguém não quer, é o outro. bah!
- ah... mas as coisas acontecem...
- não! as coisas não acontecem. esse tipo de coisa não. isso é meramente questão de decidir. se eu quero, eu vou lá e luto. se não deu certo, paciência. não vou morrer por isso. se der certo, é porque eu quis e a outra pessoa quis também. não 'aconteceu', simplesmente. acontecer é pegar uma doença, por exemplo. acontecer é nascer, é morrer. é o natural, biológico.
- faz sentido... mas e então? que palavra a gente usa pra isso?
- e sou eu que sei, é?!

domingo, 10 de fevereiro de 2008

dois olhos. vários olhares.

as histórias se iniciam quando se tomam decisões. um decide pra bem, o outro também. enquanto se está no caminho, o processo é lento. não se fala, não se diz, não se expressa. o silêncio passa a ser a arma da alma. deve ser pra não se doer, claricianamente falando.
na verdade, só ajuda quando o processo é lento. ajuda a pensar no depois, sem aperreio.
talvez ajude mesmo... é, talvez...
bem bom sentir isso de novo, mas diferente.

especialmente olhando nos olhos.






escolha você, agora.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

do real

foi difícil, depois de um dia tão carregado como aquele. os sentimentos já estavam lá, caladinhos, quietinhos...
dormiu. e o sonho veio.
todo mundo feliz, tudo muito bem... mas aquele para quem o amor foi doado de forma tão especial, de início não parecia tão feliz assim... com o tempo, foi se soltando e se entregando. e eles tiveram de novo um momento feliz juntos.

acordou estranho. felizmente estranho...
pensar naquele homem novamente parecia meio bizarro, afinal, já havia negociado consigo mesmo a respeito daquilo...

então saiu de casa com aquela sensação estranhamente gostosa de estar bem.
de repente, ele do outro lado da rua, atravessando em sua direção... então decidiu falar:

- meniiiino!!! sonhei com você hoje!
- foi mesmo? foi o quê?
- er... teve nada demais não... foi um dia normal na tua casa... eu lá, tu a família toda também... um dia feliz.
- ahn... legal.
havia omitido a parte do sonho em que tinham sido felizes. em que a pequena morte os havia atingido...
- foi bom acordar com a sensação de felicidade...
- que bom... tás bem né?
- tô sim. tava meio mal esses dias, mas to melhor... no mais, negociando comigo mesmo certas coisas... e tua vida? vai bem? o doutorado... tranquilo?
- a vida vai bem. tranquila. defendo a tese em dois anos. aproveitar a bolsa até o fim...
- faz bem! er... tô sabendo que tá namorando...
- ah... você não?
- não.
- tá feliz?
- tô bem, tô bem...
- espero, de coração, que vocês sejam felizes. que ele te faça bem. mais do que eu.
- ... olha, tenho que ir... tô meio atrasado.
- tá, tudo bem. tchau.
- tchau.

seguiu estranho.
mansamente estranho.