quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

ser estando

era uma vez um menino que chorou porque não se sabia.
numa das aulas na escola, ele ouviu uma historia de um cara com nome estranho... ate aí tudo bem... passou a semana como qualquer pessoa... com altos e baixos...
quando chegou na segunda-feira, pronto! acabou-se. desandou a chorar e só parou de noite.
se mirava e não se via. se tocava e não se sentia. se questionava e não se respondia.
na quarta foi reclamar pra alma sebosa que tinha falado aquelas coisas na semana anterior.
- ah, meu querido... tu entrasse na brincadeira... agora aguenta, visse?
- eh? mas e se eu não tiver resposta?
- ah! mas voce certamente em algum momento NAO terá resposta, meu amor...
- e aí?
- aí você pergunta outras coisas...
- ...


[o cuidado para tentar ser quando se está, toca a invisível linha tênue da continuidade de si mesmo. continuar-se. continuando-se.]

domingo, 24 de fevereiro de 2008

re-flexões

pois pronto. decide-se falar quando não se tem mais nada a fazer.
aí eu mesmo falo por mim e pelos outros. das impressões, das coisas da vida.
vida... no fim, até que vale alguma coisa. mas, caramba! pra que isso tudo, hein? pra que essa vida todinha só sofrendo, só sofrendo, só sofrendo!
e sim, isso é drama.
mas quero ser dramático até o fim.
vergílio ferreira mesmo disse que a gente tem que beber até o fim o vinho da iluminação... e por que é que eu não posso?
clarice lispector também falava nas intensidades. pra sentir até esgotar... mas é lasca!
porque tem hora que não se aguenta. a gente é que tem que saber quando! e quando é o problema! até lá, já foi um monte de merda.

só falta agora alguém chegar e dizer que é tudo mentira, que não precisa de nada disso e que a gente se preocupa demais com pouca coisa.

tá!
se for falar isso me diz o que é a verdade, que eu mesmo tô querendo muito saber.


por enquanto, deixa-me fazer a minha própria...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

palpitações

não.
dona de nada no mundo sou, pois nem de mim tenho a posse definitiva. na bagunça do ser, restou a morte e ressurreição diária de mim.
pareço incompreendida? adentra então comigo no meu vir-a-ser. faz-me segredo teu, porque o meu tu já revelaste. ou eu mesma o fiz a ti - talvez não sem o saber.
o sentido de incompletude nos move. nascemos assim. vivemos, morremos assim. incompletos. estou humana.

quero tão-somente o inédito, mais necessariamente o impreciso, o incompleto de si.
a mim, só me pergunto: basta o viver? ou o sentir o precede? viver sentindo ou sentir vivendo?
questiono-me. questiona-me, porque o inacabado é que me atrai...

as estrelas, quando as vemos, se mostram passado no presente. vemo-las, mas estão já no passado. não pretendo viver a contar ou a ler estrelas. ouvi-las-ei, talvez, no máximo.

mas pensa, reflete: o que não está de acordo com nenhuma forma de amar, por mais indefinido, torna-se, em dado momento, uma forma de amar. o não-querer é já um querer.
vamos, vamos juntos às possibilidades do devir.

pensas como eu. exatamente como eu.
o reflexo disso saberemos um dia, talvez [?]
o ex-perimentar é refletir[-se]. a ânsia do outro é também a ânsia de si mesmo. o espelho é o amor? é o querer? amas tu? queres tu?

escolhe, apenas.
eu já o fiz.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

neologia

- e aí que fica cada um na sua. os momentos de silêncio geram angústia... não que não seja bom o silêncio... mas deve haver ponderação entre calar e dizer.
- ah, mas se cada um ficar na sua, como vai saber a do outro?
- sei lá... rola!
- essas manias modernosas de pensar assim é que fazem as histórias não se concretizarem. esse negócio de 'rola' é só enrolação. pra mim é só uma forma de não assumir o que quer. ou de medo de assumir o que quer. o pior é que a culpa é sempre do outro. tipo, se não deu certo, a culpa é do outro; se alguém não quer, é o outro. bah!
- ah... mas as coisas acontecem...
- não! as coisas não acontecem. esse tipo de coisa não. isso é meramente questão de decidir. se eu quero, eu vou lá e luto. se não deu certo, paciência. não vou morrer por isso. se der certo, é porque eu quis e a outra pessoa quis também. não 'aconteceu', simplesmente. acontecer é pegar uma doença, por exemplo. acontecer é nascer, é morrer. é o natural, biológico.
- faz sentido... mas e então? que palavra a gente usa pra isso?
- e sou eu que sei, é?!

domingo, 10 de fevereiro de 2008

dois olhos. vários olhares.

as histórias se iniciam quando se tomam decisões. um decide pra bem, o outro também. enquanto se está no caminho, o processo é lento. não se fala, não se diz, não se expressa. o silêncio passa a ser a arma da alma. deve ser pra não se doer, claricianamente falando.
na verdade, só ajuda quando o processo é lento. ajuda a pensar no depois, sem aperreio.
talvez ajude mesmo... é, talvez...
bem bom sentir isso de novo, mas diferente.

especialmente olhando nos olhos.






escolha você, agora.