sábado, 3 de outubro de 2009

voragem

o parque era de um verde-vivo.
o livro, fazendo volume.
ela, vivaz.
ele, vão.
cada um estava ali por algum motivo.
ela, por ele.
por eles.

tanto tempo,,,

- mas por que foi ser justo ali? mas por que foi ser justamente naquele dia? e por que eu? e por que 'tinha de ser'?
- e tinha?

havia perguntas que não soavam como verdade. havia respostas que você queria que fossem mentira.


hoje, a casa já não é. agora é bem mais perto dali.
o menino nem existe mais. morreu duas semanas depois. hoje só se tem notícia da alma dele. ao contrário da casa, está mais longe do que se pensa.

a menina mudou. tentando, tentando. talvez mais agressiva. menos viva.
o parque, então... cada dia menos verde. primavera terminou, verão passou... outono. folhas caindo. morrendo. como ela.


o livro? ah, esse sim era o mesmo.
ocupando o mesmo volume de sempre.
na mesma parte da bolsa.
sempre carregado para os mesmos lugares.

mas nunca lido.